O QUE ESTÃO QUERENDO NOSSAS CRIANÇAS?!




O excesso de cuidado com os filhos pode gerar uma série de conflitos que só serão percebidos no decorrer de suas próprias vidas. Atualmente, os pais tem se desdobrado para atenderem ao número de demandas cada vez maiores de suas crianças. Aliás, a palavra demanda caiu na linguagem do senso comum e muitas vezes as pessoas desconhecem o seu real significado. De acordo com o dicionário Aurélio, a palavra significa: "ação de demandar; necessitar, ir em busca". No entanto, para psicologia ela significa aquilo que pode ser dito e expressado. Geralmente, a demanda esconde um desejo que não pode ser dito – este, fica nas entrelinhas do discurso de um sujeito. Ou seja, o número de demandas de uma pessoa é proporcionalmente igual ao número de desejos. Mas o que nossas crianças estão desejando, afinal?

Muitos são aqueles que afirmam a hipótese de que os filhos estão cobrando atenção dos pais. Esse pensamento, segue a linha de raciocínio evolucionista, que acredita na famosa discussão da "repercussão da entrada da mulher no mercado de trabalho". Evidente que as mudanças no quadro familiar, onde a mulher/mãe está inserida nesse mercado são relevantes, no entanto, a questão é mais ampla e cheia de variáveis. 

A sociedade de consumo, a televisão, a tecnologia em geral, contribui muito para o aumento desse número de demandas. Essas mudanças trouxeram consigo a idéia do "imediatismo". A Internet é imediata. Quer saber alguma coisa? Basta clicar. Não é de se estranhar que uma geração que vem se desenvolvendo com base nesses conceitos, acredite que seus desejos devem ser satisfeitos imediatamente. Logo, o pai ou a mãe que não os satisfazem é tido como grande vilão. Mas nenhum pai ou mãe, aceita realmente a idéia de não ser "o herói".

As crianças de hoje, exatamente por se desenvolverem sob essa tecnologia, são mais audazes e perspicazes. De alguma maneira, percebem esse receio dos pais ( não suportarem a idéia de não serem os heróis) e tiram proveito disso. Talvez, mais do que atenção, essas crianças estejam desejando equilíbrio e proteção e esses desejos estão disfarçados em demandas corriqueiras, como as ouvidas na frase: "eu quero isso, aquilo e aquilo outro". 

A proteção excessiva dos filhos, e aqui se inclui a palavra "mimo", pode ter conseqüências desastrosas no próprio desenvolvimento dessas crianças. Na melhor das intenções e muitas vezes agindo por "culpa", os pais acabam atendendo o máximo de demandas possíveis de seus filhos. Mas esse caminho é o que poderíamos chamar de "faca de dois gumes", pois à medida que as demandas são sempre atendidas, o desejo ( real) nunca vem à tona e essas nunca cessam, pois elas são a expressão de um desejo escondido. Outro fator, é que essas crianças podem se sentir de alguma maneira incapazes de assumir suas responsabilidades no futuro. Ser incapaz de assumir responsabilidades, não quer dizer simplesmente que elas podem se tornar dependentes e alienadas. Quer dizer entre outras coisas, que um sentimento de incapacidade pode se instalar e deixar a estima num nível extraordinariamente baixo.

Creio que a questão discutida e avaliada pelos pais não deve ser "o que nossas crianças querem, afinal"? Mas sim, "o queremos delas"?



Por Mônica Montone, estudante de psicologia e poeta 

monicamontone@yahoo.com.br

 OBRIGADA MÔNICA  POR ENVIAR SUA MATÉRIA.

E se você quiser participar, é só enviar sua matéria. 
Seja bem vindo ou bem vinda. O espaço é seu.

revista@mulhervirtual.com.br

bEIJOS giovanna

® Mulher Virtual

Todos os direitos reservados.